Fotografia minimalista: como dizer o máximo com o mínimo.
- studio enredo
- 27 de jan.
- 3 min de leitura

Você já parou para pensar por que algumas imagens transmitem paz imediata, enquanto outras parecem apenas "ruído" visual? A resposta não está no que a foto mostra, mas no que ela escolhe esconder.
Hoje, quero convidar você a um exercício de olhar. Vou usar como guia a minha série autoral Tekoá, para explorarmos como o minimalismo e o preto e branco são ferramentas poderosas para revelar o enredo silencioso que há por trás dos registros.

O nascimento de um enredo:
A Série Tekoá
Tekoá, em guarani, significa "o lugar onde somos o que somos". Esta série nasceu de um mergulho profundo no Rio da Madre, na Guarda do Embaú (SC). Foram necessários anos vivendo esse rio, cativando seus ritmos e sendo cativada por ele, até que essa vivência se tornasse algo intrínseco.
Em uma manhã de setembro, enquanto eu pilotava um drone, essa maturidade do olhar se revelou. O que era para ser uma busca por baleias no horizonte tornou-se um reencontro com as texturas sob meus pés. Só essa vivência prévia me permitiu a sensibilidade para visualizar aqueles registros, reconhecer o valor do que eu estava vendo e escolher exatamente o que eu queria enquadrar. Ali, a técnica e a intuição se uniram para transformar a rotina do rio em arte.
1. O que faz um enquadramento ser minimalista?
Muitas pessoas acham que minimalismo é sobre vazio. Na verdade, é sobre intenção. No minimalismo, não estamos apenas "tirando" elementos de uma foto; estamos escolhendo o que queremos eternizar. É remover distrações para que o seu olho não tenha dúvida sobre onde repousar.
Na série Tekoá, isso é definido por escolhas rigorosas:
O Ângulo Zenital: Todas as fotografias foram capturadas exatamente a 90 graus (olhando direto para baixo). Esse ângulo "plano" retira a perspectiva comum e transforma o mundo em uma composição quase abstrata.
O Peso Visual: Repare como um pequeno barco posicionado estrategicamente parece ter o "peso" de uma montanha. Isso é o equilíbrio das massas no espaço.
A Curadoria do Olhar: Ao isolar as tramas da água e os barcos solitários, eu crio um respiro para que você possa completar a história.

2. Por que o Preto e Branco?
A cor nos diz se está sol ou se a água é azul. Ela é informativa. Já o Preto e Branco é narrativo. Ao remover o espectro colorido, somos obrigados a olhar para a estrutura. O que sobra são as luzes, as sombras e as texturas que tornam a imagem quase tátil, como um desenho a nanquim. O Preto e Branco retira a imagem do tempo comum e a coloca no campo da permanência.
Como ler uma imagem minimalista?
Minha dica para você que deseja educar o seu olhar é: da próxima vez que encontrar uma obra minimalista, não tente "adivinhar" o que ela representa de imediato. Permita-se um tempo de permanência.
Sinta a textura: Perceba como a luz revela a rugosidade da areia ou a fluidez da água.
Observe os padrões: Identifique as repetições, as linhas de força e as formas geométricas que sustentam a composição.
Siga a luz: Note onde ela toca com força e onde a sombra se esconde, criando profundidade no que parece plano.
Reconheça o silêncio: O que a ausência de elementos faz você sentir?
Afinal, o sentimento é o que realmente sustenta a imagem. Quando há intenção, a fotografia deixa de ser um registro vazio para se tornar um livro aberto.
Explore a série Tekoá e escolha a história que vai habitar sua parede:

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